domingo, 27 de abril de 2008

Versões da verdade

Você quer mesmo saber quem sou eu? Porque eu não sei se vou poder te contar a verdade. E não sei se você está pronto pra ela. Na realidade, talvez nem eu mesmo esteja.

A verdade é que nem eu mesmo sei quem sou. E por mais que me esforce para me descrever, com toda a sinceridade, te apresentarei apenas a minha versão. E talvez esta versão seja muito diferente daquilo que dizem de mim. Mas por que alguém mentiria? Se minha verdade é diferente da verdade dos outros, então quem estaria mentindo e por quê?

Se tem uma coisa que tenho aprendido nestes 33 anos é que você pode ser o mais verdadeiro possível, mas mesmo assim a verdade te escorrega pelos lábios, não importa o quanto você seja sincero. Porque a verdade não nos pertence, ela pertence a Deus. O que temos são fragmentos dela, são partes da verdade, apenas aquilo que, intuitivamente, podemos contemplar.

Outra coisa que aprendi é que pra falar a verdade é preciso ser responsável. Porque a mesma verdade que liberta também aprisiona quando é contada de forma passional, quando usada fora de contexto.

A verdade é sempre uma versão. E todos têm sua própria versão. Duas pessoas sempre contarão de forma diferente a mesma história. E o que é que fica?

Pois então, eu não vou te contar a verdade ao meu respeito. E também não pense que outros contarão. Não acredite no que te dizem, não acredite no que eu digo. E quando olhar pra mim, não veja apenas o que eu faço agora, mas veja também tudo o que eu já fiz ou poderei fazer. Analise as possibilidades. Porque a verdade não é feita só de fatos, mas de potencialidades.

Então, talvez você me conheça melhor. Talvez você possa saber a verdade ao meu respeito. E, ao mesmo tempo, também terá a mentira. Tanto faz, será sempre a sua versão...

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