quinta-feira, 27 de março de 2008

Dar, sem esperar recompensa!

Está em moda a teologia da prosperidade. Aquela em que os fiéis vão à Igreja e, deixando uma oferta generosa em dinheiro que vai além de suas possibilidades, saem com a promessa de que Deus lhes dará riquezas e saúde sem igual. Nada de pagar mais aluguel ou ônibus. E, caso a promessa não se cumpra, é porque o fiel não deu tudo o que podia ainda, ou porque não tem fé o suficiente.

Estamos cansados de ver relatos. Basta ligar a televisão para verificar nos programas das religiões do tipo “entre aqui e pare de sofrer”. Ou, ainda, nos horários nobres, através dos notíciários, neste caso nas críticas sociais.
A proposta dos adeptos desta prática nos leva a imaginar Deus como um velho barbudo com uma calculadora na mão. A Ele o fiel se dirige para comprar ações num fundo de investimento com juros e rendimentos astronômicos. E, de quebra, um plano de saúde que nunca precisará ser usado.
Mas não é bem assim que funciona. O nosso Deus faz o sol nascer para os justos e injustos. Sob muitos aspectos, os infiéis são confundidos com os santos em nossa sociedade, com uma prosperidade que desafia a lógica. Só entenderemos a profundidade desse mistério depois desta vida, quando ninguém poderar levar suas riquezas, amontoadas nos celeiros.
Pense bem: quantos santos nós conhecemos que viveram entre riquezas? Pelo contrário: São Francisco de Assis, por exemplo, já possuía riqueza, e abdicou de tudo para seguir a Cristo; morreu pobre. Dom Bosco fez um trabalho intenso pela educação da juventude, mas o dinheiro não aparecia fácil, com sobras; também não morreu milionário. São Paulo aprendeu a contentar-se com o que tinha (cf. Fp 4,11-12; 1Tm 6,8). Podemos dizer que Deus não quis que eles vivessem na prosperidade?
A riqueza que Deus deu a eles o verme não come e o ladrão não rouba. Eles foram ricos, com uma alma dourada. A prosperidade que Deus lhes concedeu consiste no fato de que suas obras produziram fruto, no fato de que nada lhes faltaria.
“O Senhor é o meu pastor e nada me faltará”, dizia o salmista. E nada falta. Não faltam os dons de Deus para enfrentar as tribulações deste mundo tenebroso. Quando todos caem, você poderá ficar de pé. E quando os olhos se fecharem, Deus enxergará os talentos que foram aprimorados, dentre aqueles que lhe deu.
Desconfie dos cristãos que amontoam riquezas e delas se utilizam para benefício próprio. Não terão já recebido sua própria recompensa nesta vida? O que restará para quando encontrar o Senhor?

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