domingo, 30 de novembro de 2008

Os escolhidos de Deus

Ontem eu fui pra um show católico de um padre sobre o qual eu ainda não tinha opinião formada. O Pe. Fábio de Melo. Eu já tinha recebido algumas mensagens escritas por ele, que me chegavam por email, e também links para vídeos dele no youtube. Mas nunca fui conferir, nunca tive muita paciência para vê-los.

Mas preciso declarar o que vi. Foi muito bom ver o Chevrolet Hall cheio, ver que o povo católico a cada dia desperta mais para a fé. Desperta mais para a sua vocação de batizados. Foi muito bom mesmo ver a Igreja viva, que é muito mais do que uma comunidade paroquial ou um movimento apostólico. A Igreja é onde Deus habita, e Deus habita em cada batizado, e se rejuvenesce cada vez que um batizado volta-se para o seu Deus.

O Pe. Fábio de Melo tem o dom da palavra. A palavra certa na hora certa. E ele não fala de castigo e julgamento, ele fala de amor e acolhimento. De um Deus que nos ama incondicionalmente, de nossa natureza humana que precisa de Deus pra se realizar plenamente. No show de ontem, ele literalmente pediu desculpas aos moralistas de plantão para lembrar que Jesus Cristo veio para salvar os doentes. E que Ele não escolheu os sacerdotes daquele tempo, nem os mestres da lei. Ele escolheu os que ninguém escolheria para serem seus 12. E que a religião que não sabe lançar um olhar de amor para o ser humano, mas ao contrário aponta o dedo não está fundamentada em Cristo. Quem age assim não age como "filho do céu".

Particularmente estas poucas palavras me atingiram em cheio dentre as tantas ditas ou cantadas durante as quase três horas de apresentação. Porque eu fui vítima destes que ele chamou de falsos moralistas, tendo sido banido da própria comunidade que, de forma apaixonada e comprometida, fui motivado a fundar. Era o momento em que mais precisava deles, mas eles silenciaram e aceitaram o afastamento quando eu mais precisava deles. E quando eu precisava do silêncio, recebi palavras de juizo temerário e maldade que me afundavam ainda mais na lama. Eu estava doente, mas eles escolheram os sãos. Porque é muito fácil a gente ser amado quando a gente está no topo, sendo premiado. Mas quando a gente está na lama as pessoas têm vergonha da gente.

Depois de um tempo, a gente tenta reagir à própria dor. E quando expus minha dor, minha angústia, me acusaram de buscar uma caridade mórbida. Acho que eu queria e precisava ser salvo no sábado. Entre a cruz e a espada, entre o falso moralismo e a caridade mórbida, confuso e sozinho, preferi continuar sozinho. Quero dizer, viver da lei pra mim não era uma opção. Não queria voltar a me rodear dos doutores da lei, preferi continuar com os excluídos de Deus, os seus favoritos. Amigos que tinham ficado para trás...

Mas tudo isso é passado, quando exponho aqui não é que não tenha superado. É mais como uma alerta. Um alerta do Pe. Fábio de Melo que repercutiu na minha experiência pessoal. Um alerta para que nos demos conta de que o cristianismo não é uma religião, uma série de doutrinas e regras que precisam ser seguidas. O cristianismo é uma pessoa, uma pessoa que liberta, uma pessoa conquistadora. Ele não foi ditador entre os seus, ele foi um conquistador. Ele não impôs nada, ele -- desculpem insistir -- ele conquistou. De nada valia fazer algo para ele se não fosse motivado pelo Amor.

Eu fiz a minha escolha. E durante um tempo estive só. Mas este ano meu Senhor me fez renascer. Eu nunca soube o quão fundo poderia cavar, mas estive no fundo do meu poço e ele me resgatou sem me apontar o dedo. Ele me resgatou, me olhou nos olhos e me disse: "Vai, tua fé te salvou. Eu te escolhi um dia, e continuo acreditando em ti. Sacode a poeira dos teus pés, esquece os julgamentos feitos a teu respeito e segue em frente, porque eu tenho uma nova obra a tua espera".

Sim, eu sou um escolhido de Deus. Um visionário do Amor. Posso não ter o conhecimento do latim e dos ritos antigos, da doutrina social da Igreja e de seus desdobramentos políticos. Mas eu sei muito bem o que é o amor e o que é dar este amor a quem tem sede de amor. Mesmo sem ter tanto tato, mesmo meio sem jeito... porque eu sou um daqueles que o Médico precisa visitar, um dos esquecidos, um dos excluídos... um dos eleitos de Deus.

A cada novo dia, Ele vai me mostrando novas possibilidades e novos trabalhos a serem realizados. E se ele me usou no passado para iniciar um trabalho grandioso, que daria 100 frutos por um (e eu nem imaginava), quando eu era um menino, estou certo de que hoje o céu é o limite. Sinto-me livre e tranquilo para atender suas expectativas, e apenas as suas. E isso me basta!

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